Patos à Esquerda e Esquerda nas Ruas promovem ciclos de formação política

Histórico e proposta:

O Patos à Esquerda já havia organizado, em 2023, um conjunto de atividades que foi chamado de “Ciclos de Formação”. Foram atividades coletivas, de pequena proporção, voltadas para o aprimoramento teórico e prático de militantes e potenciais militantes. 

Naquela ocasião, o engajamento da comunidade foi pequeno e as atividades se estenderam de fevereiro até outubro daquele ano, com encontros mensais. É importante ressaltar que a tendência de baixo engajamento no contexto de um governo petista se converteu, não apenas localmente, mas nacionalmente, em um crescimento da extrema-direita, verificável no resultado das eleições do primeiro turno deste ano. 

Cumpre insistir, portanto, na importância das atividades de formação para qualificar o debate, manter a militância articulada e consciente e minar as possibilidades de expansão do bolsonarismo: enquanto a direita cresce sem precisar de grandes esforços, nosso campo precisa e deve ser responsável por um trabalho militante – esclarecido, dotado de especificidade e humanizado.

Se há algo que nutre essencialmente a educação popular e a formação militante, é a possibilidade, sempre coletivamente construída, de que cada um se torne dirigente do futuro. 

Que tenhamos vivo na memória o Louvor ao Estudo, de Brecht: 

Estuda o elementar: para aqueles cuja hora chegou não é nunca demasiado tarde. Estuda o abc. Não basta, mas estuda. Não te canses. Começa. Tens de saber tudo. (…) Não temas perguntar, companheiro! Não te deixes convencer! Compreende tudo por ti mesmo. O que não sabes por ti, não o sabes. Confere a conta. Tens de pagá-la. Aponta com teu dedo a cada coisa e pergunta: “Que é isto? e como é?”

Objetivos dos Ciclos: 

  • Compartilhar conhecimentos úteis para a organização das lutas populares. 
  • Construir coletivamente leituras críticas da ordem social burguesa.
  • Contribuir para o aperfeiçoamento teórico e técnico de militantes de esquerda.
  • Formar quadros capazes de representar os interesses da classe trabalhadora nas instituições burguesas. 

Público

  • Militantes e potenciais militantes de esquerda.
  • Estudantes, trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo.
  • Integrantes de coletivos, associações de bairro, sindicatos, movimentos populares.
  • Pessoas interessadas em formação política, mesmo sem experiência militante anterior.

Funcionamento

As atividades serão feitas com um envio prévio, pelos organizadores, de um texto curto, vídeo, podcast ou pergunta geradora. Deverá haver sugestão de leitura básica e complementar. Durante os eventos, o(a) mediador(a) fará uma exposição inicial de até uma hora, seguida de debate aberto aos participantes.

As reuniões presenciais ocorrerão preferencialmente na sede do Sindicato dos Bancários, na Rua Juca Mandu, 147 – Centro. Eventualmente, serão realizados encontros em espaços públicos e virtualmente.

A periodicidade dos encontros será preferencialmente quinzenal.

O primeiro encontro já tem data marcada!

Ciclos temáticos:

Os temas a seguir foram pensados para corresponderem cada um a um encontro. O projeto é, portanto, de longo prazo. A sequência poderá ser alterada em razão da disponibilidade dos mediadores.

Ciclo 1: Temas imediatos – para um período de mobilização permanente
  1. O colonialismo digital e o campo minado da comunicação (02/11, às 14:00, no Sindicato dos Bancários)
  2. Privacidade e Segurança Digital para militantes: ferramentas e princípios
  3. Lula 3: um balanço crítico
  4. Pautas-bomba da extrema-direita
  5. Mecanismos de ação e pressão popular
Ciclo 2: Princípios, histórias e ideários
  1. As lutas e a formação da classe trabalhadora: experiência e consciência
  2. O pensamento reacionário
  3. Autogestão e ação direta: a via anarquista
  4. A concepção materialista de história e a consciência revolucionária 
  5. Vertentes do marxismo em Lênin e Trotsky
  6. Fascismo: definição e história
  7. Neoliberalismo: hegemonia e contradições
  8. A Revolução Brasileira
Ciclo 3: Entendendo o sistema
  1. Estado, forma política e dominação de classe: especificidade do Estado na sociedade capitalista; autonomia relativa, frações de classe, hegemonia e crises de dominação; políticas econômicas, planejamento estatal e limites da democracia liberal.
  2. A atividade legislativa e a tramitação de projetos: comissões, relatoria, votação, sanção e veto.
  3. Noções de macroeconomia (PIB, inflação, juros, câmbio, dívida pública, emprego)
  4. Orçamento (PPA, LDO, LOA, receitas, despesas, emendas parlamentares)
  5. Plano Diretor e Direito à Cidade
  6. O Poder Judiciário e o sistema de justiça (STF, STJ, TST, tribunais estaduais, Ministério Público, Defensoria Pública e advocacia pública. Judicialização da política, ativismo judicial e litígio estratégico.)
  7. Forma jurídica, ideologia e contradições da ordem republicana: forma jurídica e relações sociais capitalistas; igualdade formal e desigualdade material; legalidade, direitos, cidadania, propriedade e conflitos sociais; ideologia jurídica e legitimação da ordem; ideologia, subjetivação e constituição social dos sujeitos.
  8. Educação e cultura como políticas de Estado (FUNDEB, PNE, IES, IFs, educação popular)
  9. Seguridade social (SUS, INSS, SUAS, financiamento, desvinculação de receitas, reforma da previdência e desmonte das políticas sociais)
  10. Saúde mental do trabalhador: entre a performance e a produtividade mora uma gramática do sofrimento
  11. Mundo do trabalho: CLT, reforma trabalhista, uberização, pejotização, terceirização, sindicatos, negociação coletiva e greve.
  12. Política ambiental brasileira (Código Florestal, CONAMA, IBAMA, ICMBio, licenciamento ambiental, unidades de conservação, Fundo Clima, PNMA.)
  13. Políticas brasileiras de combate à violência contra mulheres: situação e possibilidades.
Ciclo 4: Problemas nacionais e histórico detalhado
  1. Uma radiografia do povo brasileiro: abordagem com dados da atualidade
  2. O quadro partidário brasileiro 
  3. História da Nova República:
    • Ditadura burguesa sob forma democrática? Neoliberalismo x Estado de Direito – 1989-1994
    • A contrarreforma do Estado como reestruturação das relações de classe – 1994-2002 (FHC)
    • O lulismo e o arranjo de classes do período de 2003 a 2010
    • Esgotamento da mediação lulista e o golpe como reajuste de frações – 2010-2016
    • Ofensiva contra o trabalho e neofascismo como forma de dominação – contexto pós-golpe de 2016
  4. Crítica da economia política na formação social brasileira
    • Formação social e particularidades históricas do capitalismo brasileiro (pressupostos ontológicos e metodológicos da análise social; totalidade, historicidade, contradição e mediações; Estado nacional; escravidão, colonialidade e dependência; relações de classe e reprodução social; determinações históricas da sociedade brasileira.)
    • Crítica da economia política: valor, trabalho e clivagens sociais (forma-valor, mercadoria, exploração, acumulação e reprodução do capital; divisão social do trabalho; clivagens de classe, raça e gênero; desigualdades estruturais e suas determinações materiais).
    • Crises contemporâneas, reconfigurações da dominação e possibilidades de emancipação (precarização do trabalho, reestruturação produtiva, crise de representação, conservadorismo, neofascismo, transformações tecnológicas e disputas em torno do Estado, do direito e da organização da vida social; subjetividade, inconsciente, identificações políticas e afetos sociais na reprodução e na contestação das relações de dominação.)
Ciclo 5: Cultura e comunicação crítica
  • História social e cultural dos jogos e videogames
  • Música popular brasileira e as lutas da classe trabalhadora
  • Literatura como interpretação da realidade social
  • Indústria cultural e domínio de classe no Brasil do século XXI
  • Cinema brasileiro

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